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Combate ao Zika Vírus

Identificados fatores genéticos que tornam bebês suscetíveis a complicações pelo Zika

Microcefalia, calcificações cerebrais, alterações esqueléticas, deficiência auditiva e visual. Esses são alguns dos prejuízos que o vírus Zika pode provocar em bebês de mães infectadas durante a gestação.

As novas descobertas podem, no futuro, permitir a identificação de pais em risco de terem filhos com esse padrão genético de maior vulnerabilidade.

Um novo estudo, publicado no dia 2 de fevereiro na revista Nature Communications, traz fortes evidências de que a maior suscetibilidade ao vírus observada em alguns bebês tem origem genética.

A maior parte da investigação foi conduzida no Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado na USP. Participaram cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Instituto Butantan, do Hospital Albert Einstein, do Instituto de Química da USP e das universidades federais da Paraíba (UFPB), Rio Grande do Norte (UFRN) e Pernambuco (UFPE), entre outros colaboradores.

A coleta de dados foi realizada em 2016 principalmente nos estados do Nordeste afetados pela epidemia de Zika no ano anterior.

zika virus

Ao todo, foram avaliados dados de 91 crianças de mães infectadas, incluindo dois pares de gêmeos monozigóticos (oriundos de um mesmo óvulo que se dividiu após a fecundação e, portanto, idênticos) e sete pares de gêmeos dizigóticos (oriundos de óvulos e espermatozoides diferentes, também chamados de gêmeos fraternos).

Uma primeira evidência a favor da hipótese de que o background genético é determinante para o desenvolvimento da síndrome congênita do Zika foi o fato de todos casos de gêmeos monozigóticos estudados serem concordantes, ou seja, os bebês idênticos eram igualmente afetados pelo vírus.

De três pares de gêmeos dizigóticos os pesquisadores conseguiram amostras de sangue em quantidade suficiente para estudos laboratoriais mais complexos. Inspirados pela técnica que rendeu o Nobel de Medicina de 2012 a Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto (Japão), os pesquisadores do CEGH-CEL desenvolveram um método para transformar as células do sangue em células-tronco pluripotentes, capazes de se diferenciar em qualquer tecido assim como as células-tronco embrionárias.

O passo seguinte foi fazer com que as células pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês) se transformassem em células progenitoras neurais (NPCs) – o tipo mais afetado pelo Zika no cérebro em desenvolvimento. Assim que foram estabelecidas in vitro as linhagens de NPCs dos bebês afetados e de seus irmãos não afetados, todas as culturas foram infectadas com uma cepa brasileira do vírus.

Em seguida, em colaboração com a equipe de Sergio Verjovski-Almeida, do IQ-USP, os cientistas analisaram por técnicas de sequenciamento todas as moléculas de RNA mensageiro que estavam sendo expressas pelas NPCs em cultura – o objetivo era avaliar quais genes estavam mais ou menos ativos em cada caso.

Veja a entrevista da Dra. Silvana Chedid falando sobre o Zika Vírus