MODELO 3D PODE REVOLUCIONAR A MEDICINA REPRODUTIVA

Os cientistas da Northwestern University usaram culturas de tecido

para criar um modelo 3D em miniatura do trato reprodutivo feminino:
ovários, trompas e útero conectados para imitar as funções de um ciclo
menstrual de 28 dias. Essa simulação descrita em uma pesquisa
publicada na Nature Communications, está envolta em plástico e é
formada, essencialmente, por células menstruais em uma placa de petri.

Esse estudo foi parte de um esforço mais amplo liderado pelo National
Institute of Health para recriar o corpo humano inteiro em um “chip”.
Em 2014, o NIH forneceu US$ 17 milhões para organizações fazerem
pesquisa com chips de tecidos. Cada vez mais, companhias de
medicamentos estão usando os chips de tecido para testar novas drogas.
Ao replicar muitas das funções dos órgãos humanos em miniatura, em
microchips, os cientistas podem, em teoria, observar mais precisamente
o que acontece nesses órgãos quando expostos a diferentes drogas e
condições ambientais. A curto prazo, pode nos permitir entender muito
sobre a variabilidade do corpo de cada pessoa.
A longo prazo, é um passo em direção à medicina individualizada.

Pequenos tubos são revestidos de células retiradas do órgão em questão
e organizados dentro do chip para imitar algumas das funções-chave
daqueles órgãos. Quando nutrientes, drogas, bactérias ou outros
materiais de teste correm através dos tubos do chip, os cientistas
conseguem observar atentamente como processos celulares específicos
respondem. Em 2015, por exemplo, cientistas da Universidade Estadual
de Michigan usaram um chip para modelar como células endócrinas
secretam hormônios na corrente sanguínea para testar um remédio de
diabetes.

A menstruação em placa de petri, chamada Evatar, parece um conjunto de
cubos ligados por tubos que circulam o fluido entre eles.
Folículos de ovário criados em cultura produziram os hormônios nesse
sistema sintético para regular as funções do tecido. O nosso corpo é
composto de muitas células diferentes, e todas essas células estão se
comunicando. Os cientistas estão basicamente modelando isso para criar
modelos de várias doenças reprodutivas humanas para melhor estudá-las.
Pode também permitir estudar diferenças entre indivíduos no nível
funcional, um dia levando a terapias personalizadas.

Por que, por exemplo, uma combinação de drogas resulta em uma
fertilização in vitro com sucesso para uma mulher e para outra não?
Por que certas mulheres são mais suscetíveis ao câncer nos ovários? Os
cientistas não oferecem muitas respostas para essas questões. Órgãos
em um chip podem dar um entendimento mais detalhado do sistema
reprodutivo feminino e de suas doenças, assim como eventualmente
propor tratamentos personalizados projetados para refletir a biologia
individual de cada mulher.

O próximo passo é melhorar o modelo do sistema reprodutivo feminino e desenvolver uma versão masculina.