Descoberta traz nova esperança contra a infertilidade masculina

Para mais de 10% da população do planeta, ter um filho natural é um sonho impossível. Problemas como a baixa qualidade do óvulo ou do espermatozoide deixam mulheres e homens inférteis e, muitas vezes, nem mesmo as mais avançadas técnicas in vitro conseguem reverter o quadro.

Embora a infertilidade masculina esteja relacionada a diversos fatores, em 17% dos casos, os médicos não fazem ideia sobre a origem da disfunção. Um novo estudo publicado em julho na revista especializada Science Translational Medicine conseguiu resolver o mistério, aumentando a esperança do desenvolvimento de novas terapias.

Em uma coletiva de imprensa, os autores da pesquisa afirmaram que uma variante do gene DEFB126, responsável por codificar uma proteína que ajuda o esperma a entrar no muco cervical da mulher, está por trás de casos desconhecidos de infertilidade masculina.

— Estávamos fazendo clones desse gene em estudos de rotina para pesquisar vacinas anticoncepcionais quando detectamos uma mutação que se mostrou notável por três fatores. Primeiro, a mutação impedia a produção de qualquer tipo de proteína. Segundo, mutações como essas são raras porque deveriam ter se perdido no processo de seleção natural. Em terceiro, já que detectamos a mutação em uma amostra muito pequena, suspeitamos que sua frequência genética em humanos deveria ser muito grande — explicou um dos autores, Chuck Bevans, professor de imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, em Davis.

Diagnóstico completo

Ter os dois genes defeituosos, destacou Fraser, não necessariamente torna um homem infértil, pois ele reconhece que há fatores ligados à fertilidade ainda desconhecidos pela ciência:

— Se um homem tem essa mutação, mas, ao mesmo tempo, sua contagem de espermatozoides for alta e se eles forem de excelente qualidade, a deficiência da proteína pode não ser tão importante. Mas se sua contagem não for tão boa, e ele também tiver a mutação, então isso pode ter um impacto dramático.

Boas perspectivas

Em um artigo sobre o estudo publicado também na Science Translational Medicine, Steve Rozen, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de Cingapura, afirma que o trabalho traz boas perspectivas clínicas para casais que sofrem com o problema da infertilidade. Mas também faz ressalvas:

— É cedo para dizer quando o conhecimento sobre a mutação poderá afetar as tecnologias de reprodução assistida. Mas está claro que essa informação ajudará a abrir novos métodos para tratar o esperma.

Contagem baixa

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), homens inférteis são aqueles cuja concentração de espermatozoides por ml de sêmen está abaixo de 15 milhões. Já a definição organização para infertilidade em geral é a incapacidade de um casal engravidar ao fim de 12 meses de atividade sexual regular, sem uso de métodos anticoncepcionais.

Alguns estudos mostram que cerca de 15% dos casais são inférteis e que o fator masculino contribui com cerca de 30% dos casos.

Fonte:  RBS – RS