Preservação de fertilidade

A criopreservação (congelamento) de óvulos pode oferecer soluções a uma série de problemas éticos, religiosos e legais relacionados ao congelamento de embriões. Com essa técnica é possível manter a fertilidade de mulheres que sofrem de patologias que podem comprometer a função ovariana como falência ovariana precoce, endometriose, cistos e infecções pélvicas. A criopreservação de óvulos pode também facilitar a logística dos programas de doação de óvulos.

Os protocolos de criopreservação de óvulos, porém, apresentam problemas técnicos que ocasionam baixas taxas se sobrevivência após o descongelamento e baixo número de gestações. Uma das razões aventadas seria a possibilidade da indução de aneuploidias após a exposição aos crioprotetores e ao congelamento propriamente dito.

Pesquisas mais recentes têm mostrado, no entanto, cromossomos e cariótipo normais após o descongelamento. Com a utilização da técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) foram obtidas taxas de fertilização e implantação melhores.

Outro grande avanço em Medicina Reprodutiva é a opção de criopreservar tecido ovariano para mulheres com o objetivo do auto-transplante, cultura de folículos primordiais ou o uso de técnicas de xeno-transplante para recuperar óvulos com capacidade de desenvolvimento. Essa técnica está particularmente indicada para pacientes jovens com câncer e que desejam preservar suas células germinativas para evitar o dano potencial causado pela radio ou quimioterapia. *

Estudos experimentais em animais demonstraram que após o congelamento, o descongelamento e o auto-transplante de fragmentos da córtex ovariana, ciclos ovulatórios puderam ser restabelecidos assim como a fertilidade. Progressos no sentido de se maturar folículos de tecido congelado e descongelado para a fertilização in vitro, porém, ainda caminham lentamente.

*Newton, H.; Fisher, J.; Arnold, J.R.; Faddy, M.; Gosden, R.G. Permeation of human ovarian tissue with cryoprotective agents in preparation for cryopreservation. Hum. Reprod. 1998; 13: 367-80.